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domingo, 15 de abril de 2012

A Banda Mais Bonita da Cidade - Se Eu Corro...



Tem coisas na vida que eu nunca contei pra ninguém. Que nem hoje, sem nada, eu lembrei da primeira vez que você me disse "eu te amo". 

Daí você veio me tomando os freios, me tremendo joelhos, me jogando outra vez nesse alto-mar de medos irreparados, de oportunidades desaproveitadas, de esperanças que me foram tomadas. Você me trouxe toda a certeza de que eu vou passar a vida inteira duvidando de tudo. 

Com um xêro no cangote e um jeito de passarinho que não vai aprender nunca a migrar de mim, você me deu um anel vagabundo e me fez crer que tem alguém lá em cima pra cuidar de mim por você quando a gente tiver longe um do outro. Mas eu tenho medo. Depois de todo esse tempo eu continuo tendo medo que um dia tu acorde sem um pingo de saudade de mim, e disso pra nos esbarrarmos na rua, sem cumprimentos, feito dois estranhos, que nem duas pessoas que nunca se viram na vida, ah, como eu tenho medo. 

De perder meus cafunés de sábado à noite, de ligar pra ficar calada, de matar a saudade devorando uma tábua de carne sangrenta, porque a gente se merece. E se o mundo fosse como deveria ser, cê tava aqui agora, deitado no meu colo com cara de maior abandonado, com jeito de gente que não só precisa, mas tem que ser amado, com cheiro de banho tomado, perfume de criança e vontades de gente grande. 

Enfim, eu sinto sua falta. Você me faz falta. Não é nada demais, só deu saudade agora, só dá saudade o tempo todo, o dia inteiro. Mas faz de conta que eu não disse nada. Deixa fazer de conta, porque da boca pra fora dói menos - mesmo que ainda doa. Mesmo que a distância nunca pare de doer. 

Link para a música: http://migre.me/8H6et A Banda Mais Bonita da Cidade - Se Eu Corro...
~


Obrigada pra você que acompanhou o #REDI até aqui. 
Sério, de coração. Agora uma nova etapa começa,
que venha o #PraNósROLA. Valeu mesmo.
Mais informações, siga: @luiza__, @NatyFarkatt, @eugeblancol, @VirginiaaMoon, @MilaaC0sta, @MariahHolder e/ou @annacluiza. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

The Subways - Strawberry Blonde



Eu te fiz um pingente de clips de papel uma vez. 

Eram três clips amontoados uns nos outros de um jeito bonitinho, pra fazer você se apaixonar perdidamente por mim. 

E eu ia te contar meu amor quando entregasse o embrulho enrolado num laço de fita vermelho, e meu coração doía de bater tão rápido assim na vontade de ver o que ia acontecer quando eu fechasse seus olhos e dissesse que tinha uma surpresa pra você. 

Eu rezava toda noite pra que o seu amor pudesse ser meu também. Pra que você sorrisse e me desse um daqueles beijos épicos de fim de filme e não largasse de mim nunca mais, nem tirasse da correntinha de prata do seu pescoço o pingente que eu tinha te feito pra guardar nosso segredo. 

Gastei uma madrugada inteira queimando meus dedos pra modelar e colar clipzinho por clipzinho com o isqueiro velho que eu tinha roubado da senhora que vinha semana sim, duas não lavar a roupa na casa da vizinha. 

Ela sempre fumava no batentinho da calçada, aquele que tinha os nossos nomes gravados no cimento. Meia carteira de cigarros, uma xícara bem cheia de café fervendo e a velha mesma história sobre o moço garboso do cais, de mil anos atrás, a quem prometera um amor eterno em troca do par de meias roxas horrível que ele calçava. 

Semana sim, duas não - lá estava ela descançando as costas de uma tarde inteira lavando a roupa suja de gente que nem sabia seu nome, calçando as mesmas meias roxas nos pés. Porque o moço garboso do cais, de mil anos atrás, poderia ter voltado do mar e ainda estar procurando depois de todo esse tempo, o amor eterno que lhe prometera antes sequer de conseguir dizer seu nome. 

Tudo que ele tinha para encontrá-la eram suas meias roxas. Então eu pensei que a gente pudesse ter uma história que nem essa pra eu contar pros meus netos quando a saúde, ao contrário da saudade, já não abundasse tanto assim. E eu gastei uma madrugada inteira de sono num pingente - que nem era tão bonito, pra te ser sincera, que mal valia dez centavos - pro caso de um dia a gente se perder um do outro, eu poderia rodar o mundo um pescoço de cada vez, procurando a correntinha de prata que carregava meu universo todinho que eu entreguei de bandeja pra você ostentar. 

Mas você nunca recebeu o pingente de clips de papel. O embrulho enrolado no laço de fita vermelho nunca me saiu da mochila ou da lembrança. Nem eu consegui te fazer apaixonar perdidamente por mim. 

Porque na hora que eu tomei toda aquela coragem épica pra conseguir abrir a boca e te dizer pelo menos "Olá", cê chegou, todo lindo, me sorrindo aqueles dentes bonitos e retos, com a mão de outra moça segurando a sua, pra me dizer que tava namorando, pra me falar nas entrelinhas mas em letra de forma que nunca ia ser meu. Pra me mostrar que ninguém em sã consciência, troca um amor pela garantia de um par de meias roxas que nunca vai procurar - mesmo que eu continuasse colecionando clips de papel pra guardar o nosso segredo que foi só meu, pro resto da vida. 

Link para a Música: http://migre.me/81rmC The Subways - Strawberry Blonde

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Arctic Monkeys - A Certain Romance

Folhas em branco me acalmam, mas não tanto quanto seus olhos, posto que de todas as coisas que eu nunca entendi eles sempre foram a mais bonita. E desde então eu tenho achado que vejo você por entre todas essas páginas descalças de rabisco que eu encontro por aí, porque é você o rabisco que eu nunca aprendi a apagar da minha memória. 

Desenhado, de caneta imperecível, xerocado, divulgado, espalhado, colado nas paredes das ruas onde eu ando e provavelmente nas que eu não ando também. Escrito na minha testa, no jornal de domingo, na minha camisa, nos pães da padaria e na parede do meu quarto. E mesmo com certa aversão a esse tipo de coisa tão escandalosa, eu não me importo de ter o meu amor anunciado assim bem enorme no out-door da avenida principal, porque meu amor nunca teve vocação pra pixação de giz, meus "eu te amo" não vão apagar com o vento, nem tampouco com três mãos de Suvinil por cima. 

Então por favor, tome conta direitinho. Tem um milhão de lápis de cor na gaveta pra colorir nosso dia; pra quando eu voltar pra casa e você tiver se barbeado, na minha mochila tem sempre uma caneta preta e eu vou poder te desenhar aquela barba ralinha que arranha e eu gosto. E pra quando as coisas estiverem desarrumadas, me procure nas folhas em branco. Quem sabe elas te lembrem meus olhos e estes acalmem você também, daí a gente dá um jeito de arrumar essa bagunça toda juntos.   

Link para a música: http://abre.ai/bri Arctic Monkeys - A Certain Romance 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Beirut - A Candle's Fire



Tinha um velho tocando o resto de sanfona que sobrou da noite passada no canto da esquina, um poste com a luz queima-não-queima e uma banca de flores, madrugando quieta, no domingo do outro lado da rua. Em passos meio tronchos, com a gravata num nó ainda mais troncho, o rapaz, sem sorrir, foi passando. Uma moça muito bonita, de vestido amarelo e maquiagem borrada, vinha do outro lado, com os cabelos bagunçados e os sapatos na mão. 

Ela resolveu sentar no meio-fio da calçada pra sujar de uma vez o vestido, respirar dois minutos e ver se engolia o choro tomando o resto de vódega da garrafa que trazia na outra mão. Ele sem pensar em nada, olhou pro velho sanfoneiro na esquina, tocando os restos de acordes soltos de fim-de-carreira, arrumou o nó da gravata e sorriu um triste e torto sorriso pra moça.

Cambaleou um pouco até conseguir levantá-la, segurou a mão dela e puxou pra dançar os passos meio-bêbados ao som daquela música que ninguém sabe o nome ou a letra mas todo mundo sabe qual é. A moça riu enxugando os olhos borrados daquela dor que não passava nem com Gelol, e foi trupicar com ele pela rua que ninguém sabia se o que iluminava era o sol nascendo ou se era a saia do vestido amarelo rodando tonta. 

- Chora não, menina. - O rapaz falou depois de uma meia-hora e tomou um generoso gole quando ela lhe ofereceu a garrafa. - Ele volta. 

- E se não voltar? Se ele não voltar mais nunca? 

- Se ele não voltar, eu fico. E fico pra sempre aqui do seu lado, dançando garrado enquanto amanhece. 

- E se ele voltar? 

- Se ele voltar, eu brigo, eu bato. Porque só um louco deixaria um par de olhos verdes lindos desses, no meio da rua numa madrugada qualquer. 

Eles pararam de dançar. Continuaram de mãos dadas. O velho da sanfona não parou, o poste apagou de vez. 

- Periga um bêbado esquisito com um coração partido, parar e se perder nesses olhos verdes lindos e até criar coragem de chamá-los pra dançar. 

- E se eu resolver ficar? 

O rapaz andou até a banca de flores dormidas e roubou uma da cor do vestido dela. 

- Se você ficar, eu me apaixono. 

- Só tem um problema. - A moça disse, voltando a calçar as sandálias, segurando a flor amarela e ouvindo a música parar. 

- Qual? 

- Se você se apaixona, quem foge sou eu. Tenha um bom dia.

Ela tomou o último gole da garrafa, beijou o rosto dele, depositou a flor no decote e seguiu seu caminho, deixando pra trás o rapaz. Com a barba e o coração por-fazer.

Link para a música: http://abre.ai/aQ0 Beirut - A Candle's Fire

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ana Cañas - Luz Antiga


Às vezes eu só queria não ter que ligar primeiro. Não ter que falar que eu não tô bem, porque você já devia ter percebido. Eu queria que pelo menos desse pra ver que o seu tempo comigo é melhor do que com a tv, ou que você não insistisse tanto pra sempre ir embora tão rápido. Eu sei que eu pareço uma otária reclamona que nem essas outras mulheres no mundo as quais eu sempre fiz questão de criticar, mesmo quando elas são minhas amigas. Porque eu sei que eu já tô no lucro em ter encontrado alguém como você, mas eu queria que você se desse conta de que encontrou alguém como eu. 

Olha, eu sei que tenho muitos defeitos, eu falo, muito, mal ou bem, de todo mundo, de qualquer coisa. Não vou mentir! Mentira. Eu vou porque caralho, eu minto muito. Só que eu nunca menti sobre como me sinto, não pra você. Acredite, eu tento ser sempre a melhor namorada do mundo, mesmo quando eu tô com preguiça, ou com sono, ou estudando, ou com os meus amigos, porque eu me importo, porque você é uma das únicas pessoas no mundo com as quais eu me importo. Eu sei que posso ser manipuladora, insensível, incrivelmente aterrorizada pelo meu medo de cachorros, horrivelmente crítica com o seu gosto musical ou essa pulseirinha do equilíbrio horrorosa, mas mesmo eu sendo tudo isso você sabe que eu te amo, porque eu digo.

Às vezes eu queria que certas madrugadas de domingo durassem pra sempre. Como daquela vez que você me fez chorar de rir dizendo que me amava apesar das mordidas e beliscões - e eu não estava chorando de rir, eu só tava feliz por te ouvir dizer aquilo. E longe de mim achar que você não sente, por favor, nem pense nisso, eu só preciso que, desse jeito assim às vezes, você me diga. Porque estar longe dói. Eu brinco, digo que aguento bem, digo que a saudade é boa, mas essa é uma daquelas horas que eu minto, minto mesmo, minto muito, pra ver se tapa o buraco dessa falta do caralho que você me faz. 

Eu sei que eu devia parar de cobrar mimo, já que tem muita gente por aí hoje, todo mundo cheiroso e arrumado, afinal é noite de sexta-feira, procurando o que eu consegui encontrar por acaso, num teatro à céu aberto, enganchando o aparelho na minha camiseta cinza enquanto uma mulher avulsa caía dentro de um buraco, e eu não trocaria essas lembranças nem mesmo pelas barras de ouro do Silvio Santos, aquelas que valem mais do que dinheiro. O problema é que hoje eu tô carente, então eu só queria você, aqui, comigo, sem se importar com mais porra nenhuma no mundo além de mim ou do quão eu continuo ridicularmente apaixonada depois de todo esse tempo. 

Link para a música: http://migre.me/5I0EC Ana Cañas - Luz Antiga

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sabonetes - Marca Página


Você disse:

- Olá. Posso pegar esta cadeira? - Sem querer ou muito se importar e eu fiz que sim com a cabeça, tomando um gole do meu café de sempre, tentando não parecer afetada pelo seu tom de voz grave ou pelo sanduíche de presunto que você pegou na minha frente porque furou a fila. 

E eu poderia passar o resto da minha vida contando os fios sem corte da sua barba falha, e manchando seus óculos só de acinte, e segurando suas mãos sujas de tinta de caneta Bic prestes a papocar. 

Porque você fica aí com esse seu charme de menino perdido e seu tom de desgosto como quem já apanhou muito da vida, sentado à mesa mais escura daqui, escrevendo nesse bloquinho avulso como se mudasse o mundo e eu me derreto com o leve desespero que te toma conta quando cai uma gota de suco de cajá nele, apagando algum pedaço dos seus parágrafos de tinta que eu arrancaria minha orelha esquerda fora pra poder ler.

Ai rapaz, tu não sabe da missa a metade, mas também, com essa cara de sabe-tudo, provavelmente é ateu e nem sonha que eu comecei a acreditar que tem um deus por aí só depois que vi você. E nem imagina que eu venho nesta porra dessa padaria, todo santo dia, só pra te olhar sendo lindo com essas meias roxas, com esse enfado eterno e esse cabelo de toim-oim-oim de onde vem o cheiro de chiclete quando me dá "bom dia" e eu sorrio esperando um sorriso em troca.

Mais cedo ou mais tarde, quem sabe? Chegue você aqui, um buquê de esperanças numa mão e na outra aquele meu chapéu bonito que eu vou esquecer na sua casa. Porque tá na minha lista ir lá na sua casa e perguntar se eu posso pegar uma cadeira, uma xícara de açúcar, uma página desse seu bloquinho ou você - na torcida de que você prefira morenas. 

Quem sabe vem você e me aparece aqui qualquer dia, e me beija na surpresa de pedir um café pra nós dois, dizendo as mil e três coisas do seu dia cansado, do dentista da esquina e do conto novo que escreveu pra mim, sem esquecer de falar o quanto meus olhos são doces. Uma iludida ainda pode sonhar nessa vida, não pode?

Quem sabe eu finalmente crio coragem e digo o tanto que seu suco de cajá e a meia roxa me encanta, o tanto que seus rascunhos no escuro me encantam, o tanto que esse seu jeito calado de aparecer me espanta, e o tanto que me encanta e espanta o muito que eu amo você. Amo sim, e daí? Quem é você pra me dizer que não é? O amor nunca é rápido demais, as pessoas que inventaram esse mal-costume de se darem conta tarde.

Quem sabe meu rapaz, você me diz uma hora dessas, qual o sentido da vida pra alguém que nem eu, que leva a vida na espera de um sorriso de volta, seu.

Link para a música: http://migre.me/5E8d3 Sabonetes - Marca Página

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Beirut - Nantes


Ei, você. Vem cá me salvar desse mundo que anda meio cinza e triste, vem cá ser meu super-herói, me carinhar todo cheio de xêro, todo cheio de graça. Venha, menino, venha.

Venha me ensinar, que eu nunca aprendi, a dar estrelinha, tiro, murro e carinho. Me mostrar como que vê o mundo com olhos de águia, pra eu ter o prazer de estudar cada pedaço doce do seu corpo, debaixo dessa capa.  

Eu te conto os segredos escondidos no meu super-sarcasmo e você me deixa ver o que tem por trás dessa máscara. Eu te dou umas dicas pra parar de discurso pomposo sem a menor humildade e se você garrar essas teias aí tudo em mim, eu não terei uma objeção sequer a fazer parte da sua vida perigosa.

Eu te mostro o lado bom de ser vilão e você me diz qual a sensação de ganhar sempre. Aí então você faria de mim sua Mary Jane, Lois Lane ou Rachel Dawes - se eu quisesse. Venha, menino, venha que eu te dou todos os antídotos pra esses venenos chatos da rotina, basta você me deixar ser sua kriptonita.

Link para a música: http://migre.me/5Dgd0 Beirut - Nantes

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Maroon 5 - Never Gonna Leave This Bed (Acoustic)


Me deixa tropeçar em você de propósito, quantas vezes eu quiser, virar freguesa dos seus maus-costumes de bom moço, te dando trabalho e carinho depois da terceira ou quarta dose de vodca. Deixa só eu garrar aqui uma mordida no seu amor pra não soltar mais nunca. 

Me faça perder a cabeça, a blusa e a vergonha na cara, quando ninguém olhar, me faça entender por que é tão fácil ficar do seu lado e afinal, por que diabos o cheiro do seu xampu é tão melhor que o dos outros. 

Me arruma seus medinhos, sua coleção de pornô e aquela bermuda horrorosa, pra eu te notar um defeito. Porque gente sem defeito não tem graça, então se eu for achando uns defeitos em você, fica perfeito. 

Me dá conta das risadas que você me roubou de improviso, dos beijos carentes perdidos no meio do sono que eu sempre notei, e daquela música linda e lenta pra gente dançar de nariz gelado numa madrugada avulsa dessas aí. 

Me bata os recordes de quantas vezes é possivel se apaixonar pela mesma pessoa, me invada a preguiça daquela gaveta de músicas que eu nunca tinha escutado por medo de ouvir e gostar, perca minhas inseguranças e traga uns adjetivos de bandeija pra me dar quando eu precisar.

Me conta o que te encanta, me fala o que te faz bem. Me dá beijo de boa noite e, aquele café, quando é que você vem tomar comigo? Quando é que você vem me tomar pra você? Me diz desse seu mundo, pra dar tempo de eu te mostrar um conto que escrevi, só pra te dar motivo pra vir aqui, tomar conta de mim. 

Me pega pra ser o seu alguém pra vida inteira, me deixa ter mais mil motivos pra te amar, me arranja um motivo pra ir embora, senão eu vou acabar passando o resto da vida procurando desculpa pra ficar. 

Link para a música: http://migre.me/5KibM Maroon 5 - Never Gonna Leave This Bed (Acoustic)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Amy Winehouse - Will You Still Love Me Tomorrow



Eu não pedi pra nascer. Contudo, se eu soubesse disso tudo sobre o mundo, sobre os desenhos da tv, sobre os livros que eu iria ler, sobre as músicas que eu ouviria, e principalmente, se eu soubesse que ia ter agora sua mão segurando a minha, seu olhar sustentando o meu, sua boca sorrindo meu riso desafinado, ah meu amor, eu teria pedido. Eu teria implorado pra te botarem no meu caminho pra ontem. 

E então poder te forçar logo a assistir filmes legendados e te dar aula de História. Ligar pra dar boa noite, tarde, dia, pra dizer que amo você, que bateu saudade ou qualquer outra desculpa besta pra ouvir sua voz. 

E então poder aprender a cozinhar pra te encher de mimo, exercitar minha odaxelagnia em cada pedacinho de você, cheirar seu pescoço e amar seus perfumes de menino besta quase tanto quanto eu amo sua mania de me mandar parar de andar de pés descalços por aí, senão eu vou sujar meus pés. 

E então poder deixar você me mostrar seus dvds de metaleiro encubado, seu jeito bom de olhar a vida, suas cuecas bonitas,  seus filmes de terror trash e seus sonhos de gente grande. E deixar você me levar na sua onda de bom moço, com seus ombros bonitos, seus pagodes ruins e sua conversa de um futuro comigo que eu nunca imaginei com ninguém. E deixar que  assaltasse minha vida bandida à mão armada, roubando cada pedaço de mim pra você.

E então poder ir indo, e te tendo do meu lado. Poder te sequestrar toda tarde de domingo. Poder te ganhar mais um pouquinho com cada frase solta que te escrevo. Por mais mil anos que nem esses dois, porque você ainda vai estar aqui amanhã. 

Link da música: http://migre.me/5iCv6 Amy Winehouse - Will You Still Love Me Tomorrow

segunda-feira, 11 de julho de 2011

John Williams - Hedwig's Theme



Eu conheci o menino que sobreviveu, num armário debaixo da escada. Eu fui contra a parede entre as plataformas 9 e 10 na estação King’s Cross. Eu embarquei num dos vagões do Expresso de Hogwarts. Corrijo até hoje o Wingardium Leviosa de Rony na aula de feitiços. Neville me mostrou a coragem de proteger os amigos mesmo tendo de enfrentá-los. Passei por fofo, por anotações realmente úteis sobre herbologia, pela melhor partida de xadrez que o mundo bruxo já vira e, ah! Aprendi a conjugar verbos no pretérito mais-que-perfeito! 

Conheci a Toca dos Weasley e (mesmo não sendo ruiva) me senti da família. Aprendi com Minerva a valsar, e a transfigurar animais em taças. Viajei de Pó de Flu, aparatei e sobrevoei um bocado de Inglaterra num Ford Anglia. Eu jurei solenemente não fazer nada de bom, eu entrei na sessão reservada, eu invadi o Ministério da Magia. Duas vezes. Confesso que ri de Tiago ter sido veado e de Tia Guida voar pelos ares feito um balão. 

Eu vi o Lord das Trevas se esconder num turbante, num diário, num anel, numa taça, num medalhão, num diadema, numa cobra, numa cicatriz e, mesmo assim, perder de novo pro amor de Lilian tantas e tantas e tantas vezes. E eu sempre quis uma varinha, uma Firebolt, um gato pra chamar de Bichento, um abraço da Sra. Weasley e um vira-tempo. Eu quis me entupir com os sapos de chocolate e topava até comer feijão, contanto que fossem daqueles de todos os sabores, e me embriagar com dúzias de cervejas amanteigadas.

Eu conheci o Príncipe Sev que conquistou o meu amor depois de tantas aulas de poções. Conheci Dobby livre. Edwiges. Colin Creevey. Conheci o mais injustiçado de todos os prisioneiros em Azkaban. Conheci Lupin e Tonks. Fred. Olho-tonto. Cedrico. E chorei a morte de cada um deles como se fosse minha. E nada eram diabretes da cornualha, explosivinz, bichos-papões, testrálios, sereianos ou lobisomens comparados ao terror dos dementadores e Comensais da Morte. 

Eu senti medo dos dragões, da guerra, da Marca Negra pairando no céu e, por que aranhas? Por que não podiam ser borboletas? Confesso minha queda pela sonserina, por Draco Malfoy, por Pigfarts, e claro, pela comensal mais cruel e diva de todas, Belatriz Lestrange. 

Luna me ensinou um jeito meio louco de enxergar as coisas. Com Hagrid, aprendi a ter um coração mais que meio-gigante, com Rabicho que traições são para os ratos sem personalidade ou espírito e com Umbridge que não devo contar mentiras. Odiei Cho e Gina com mesma proporção que fazia Você-Sabe-Quem querer matar Harry.

Vi Winky e Monstro vestirem a escravidão com um orgulho de dar dó e usei mentalmente um bottom do F.A.L.E. Comi lesmas com Rony pra defender Hermione, senti orgulho de ser sangue-ruim, me arrumei toda pro Baile de Inverno, chorei junto com ela quando Rony foi embora e me alegrei tanto quanto, quando o iluminador o trouxe de volta. 

Tomei a poção polissuco e me travesti de Crabbe, de Goyle e de Harry. De 7 Harrys. Me juntei à Armada de um Dumbledore falho, porém genial até o fim de sua vida, e entrei na batalha pela Ordem de uma tal Fênix que trouxe no Chapéu Seletor a espada da casa dos corajosos. 

Me deixei ir levando pela ilusão dos feitiços, pelas relíquias nos contos infantis que eram de verdade, pela lula gigante no lago, pelas piadas dos gêmeos e por Pirraça, pelas asas de um hipogrifo que se livrou da morte, pelo castelo das escadas que podem mudar - mesmo que o meu amor não mude nem acabe nunca. Porque isso foi a minha infância, porque eu tenho pelo que lutar. Obrigada por isso, J.K.

E nem ligue se você não entendeu nada disso, não se preocupe. Trouxa.

Eu escrevi esse texto pro meu tumblr, mas não iria me perdoar se deixasse essa parte tão grande de mim fora das memórias desse blog. I have stuck with Harry until the very end. 

Link da música: http://migre.me/5e6wv John Williams - Hedwig's Theme

domingo, 5 de junho de 2011

A Banda Mais Bonita da Cidade - Oração



Eu pensei em muitas histórias pra contar algo que muitas pessoas sentiriam, e deste modo, muita gente leria. Mas não é todo mundo que sente isso que eu sinto. É egoísta pensar assim, eu sei, até porque é verdade, eu conheço muita gente apaixonada. A diferença é que, para mim, essa coisa estranha que as pessoas chamam de “amor” nunca foi nem um pouco banal. 

Eu não cresci no meio de uma família que exala aquele sentimento de fraternidade que eu encontro quando vou na casa dos outros. Meus pais se separaram quando eu ainda não tinha nenhum dos dentes da frente - eu não estou reclamando, até porque não consigo imaginá-los juntos nem à pau até hoje. Nunca fui o tipo normal de menina, que calça os saltos gigantes da mãe e adora ficar toda emperiquitada com aquela vasta gama de maquiagens alí pertinho. Eu nunca fui assim. 

Eu passei minha infânica sendo aquela coisinha quieta no fundo da paisagem, com um livro grosso na mão e sendo ignorada pelo resto das pessoas. Sem amigos ou beijos de boa-noite, mas eu não sentia falta. Eu não podia sentir falta de algo que eu não sabia que podia ter. Então eu ia indo, com minha casinha de bonecas e as histórias que eu lia. Isso e a televisão. Por isso não ligue com os dramas mexicanos que corroem as páginas das histórias que eu invento, o que eu posso fazer? Formei meu caráter assistindo A Usurpadora. E assim fui levando, enquanto não tinha ninguém que me levasse. 

Eu era, na escola, aquelas pessoas que passariam em branco em qualquer foto antiga. Eu não era popular. Eu não era bonita. Minha sorte é que eu não era burra, então eu me esforçava, porque entre tantos alí, eu sabia o que eu queria. Então, pra tentar compensar os atributos que eu não tinha, eu me esforçava. E seguindo a teoria da minha escritora brasileira favorita, como eu não era bonita no tempo do colégio, eu desenvolvi o humor, então eu resolvi ser engraçada. Ou tentar ser engraçada. Tanto faz, eu só sei que uma hora entre continuar sendo ninguem, um trabalho de literatura e finalmente conseguir fazer amigos, eu comecei a escrever. 

Eu escrevi sobre um rapaz de cachinhos que morava longe de mim, me decepcionou e parei. Escrevi sobre um amigo que eu tentei que fosse, mas a gente era igual demais pra isso e parei. Escrevi sobre alguém que nunca foi meu, nem me valeu à pena e parei. Escrevi histórias que não eram minhas e músicas de todo o coração. E só então escrevi sobre você, sobre os seus ombros e seu sorriso torto, o menino besta com cara de sério que me carregou um coração desacreditado e só devolveu esse monte de vontade de viver gigante, por mais uns mil anos que nem esse, do seu lado e com você. Te matando de cheiro, e te chamando de amor. Porque a diferença dessa história, é que ninguém além da gente vai entender a paixão das entrelinhas perfumadas com seu cheiro que sempre fica na minha roupa quando você vai embora. E essa sou eu, numa última oração, pra nunca mais parar de escrever onde caiba um "nós dois".

Link para a música: http://migre.me/4JsHH A Banda Mais Bonita da Cidade - Oração

domingo, 22 de maio de 2011

Marcelo Camelo - Vermelho


Ei, você faz falta. Você me faz mais falta do que eu tenho da minha barbie morena que deve estar empoeirada num canto de gaveta há tanto tempo que acho que não sabe mais nem o que é brincar.
Menino, você me ensinou o gosto bom que a vida pode ter, me fez sorrir mais sem me importar tanto, mas me importando muito com você. Me deixou roubar suas camisas cheirosas, seus beijos errados e seu coração que era tão meu desdo segundo em que te pus os olhos. E eu digo obrigada por tudo. E eu peço que você nunca esqueça. Que você nunca me esqueça.
Eu tô com uma saudade de você do tamanho que eu nunca senti de ninguem, nem do meu pai. Vem cá falar suas coisas de menino besta baixinho na minha orelha. Vem cá me deixar toda boba, sem fala, só olhando pra você. Vem cá me salvar dessa contramão de idéias doidas que eu fico tendo quando eu tô longe de você. E eu penso que fiz algo errado, que você tá com raiva de mim, mas no fim das contas foi só o botafogo que perdeu.
Ô meu amor, tá vendo o que tu faz comigo? Eu sei que você tá dormindo uma hora dessas, quieto no seu canto, esperando o despertador do celular tocar pra poder ir trabalhar amanhã, e eu aqui. Centenas de quilômetros dessa vontade gigante de tá aí do seu lado, cheirando seu cangote e te fazendo cafuné.
Ei, meu rapaz, me promete? Que teu amor amanhã de manhã ainda vai ser grandão assim feito o meu? Que não vai sorrir pra elas o sorriso torto que é meu? Que o único grande amor da sua vida vou ser eu? Porque se for, pode escrever com letra de forma numa tatuagem bem grande e no meio da minha testa: A mulher mais feliz do mundo. Mesmo morrendo de saudade de você. 

Link para a música: http://migre.me/4BXyR Marcelo Camelo - Vermelho

terça-feira, 17 de maio de 2011

Lenka - Two



Risca o fósforo pra acender o olhar que o meu não perde. Me dá boa noite como se não fossem haver mais noites dessa, me cheira o pescoço pra gastar meu perfume até que eu finde cheirando a você. E eu que enchia a boca pra dizer que não morreria por ninguém, acabei viciando em você. Destruindo meus neurônios pra deixar você tomar conta do meu juízo de uma vez.

Então eu me apaixono. E eu que escrevo comparando amor com maconha, na lombra que me dá só de pensar em você, findo viciando numa música só pelo jeito como o moço da voz bonita pronuncia “querosene”. Mas a voz do moço não é tão bonita quanto a sua quando diz que me ama e que não sabe mais se ainda sabe viver sem mim. 

E eu te compro um daqueles chicletes que vem com anel, a gente ri bobo, você segura minha mão e pergunta se eu quero "causar" com você. Casa, comida e roupa lavada pra quê se a gente pode arranjar causa, motivo, razão e circunstância pra ser feliz só pelo fato de sermos nós dois. Então eu aceito e sorrio, e de rir não consigo fazer a bola de chiclete, e você caçoa de mim. E eu que tento brigar, não consigo. Porque viro boba alegre só em olhar pra você.

Então, na lombra que o seu amor me dá, eu te amo. E eu sei que é verdade porque consigo tragar do seu beijo todos os sonhos bobos que são iguais aos meus. Sentindo no toque da sua mão meus olhos ficando vermelhos e você pede que eu não chore, porque eu estou aí com você e você está aqui comigo. Então eu te prendo na minha respiração o tanto que eu puder, enquanto digo que te quero empreguinado em mim sem ser só fumaça. 


Link para a música: http://migre.me/4zhVn Lenka - Two

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Los Hermanos - Último Romance


Ela era linda. 

É clichê, eu sei, mas ela era. Eu não sei se era o traçado doce da ponta empinada do nariz dela, se era a delicadeza da mão esquerda segurando a asa da xícara de café, ou se era o sorriso - nunca o mesmo, mas sempre alí. Agora me diz: Quem nessa vida sorri todo dia às seis da manhã pra estranhos da fila na padaria da esquina? Só ela, meu Deus. Só ela. 

E nessa estou eu, cá num canto a vida toda, sem nunca criar coragem pra perguntar nome, telefone, ou se ela queria casar comigo. Ganhando, todo santo dia, um sorriso que nem era pra mim - eu só fazia parte da paisagem. 

Mas se você me perguntasse eu saberia responder tudo sobre ela. Tudo menos o nome, telefone, ou se ela queria casar comigo. 

No anelar da mão direita lhe havia um bronze longinquo e certa cintura que acorrentava a lembrança provável de um noivado de muito tempo. E depois disso nunca tomou café com o mesmo cara mais que duas vezes, e não havia um dia que não tomasse café. 

Gostava de poesia água com açúcar e romances policiais, conversava com uma menininha que mora no fim da rua sobre os desenhos da tv. Espirrava quando chovia sem aviso e ela tinha esquecido o guarda-chuva xadrez e falava com alguém no balcão sobre seu peixinho dourado. Lambia os beiços quando olhava os doces cheios de cerejas, mas sempre evitava quando o padeiro os oferecia. Dava como desculpa o horário. Era sempre cedo demais para alimentar lombrigas. 

Quando estava alegre, vinha com o cabelo solto e os cachos indo até depois do meio das costas, pedia um café quente  com muito açúcar e dava bom-dia primeiro. Quando entediada com a vida, vinha numa trança meio torta, com bocejos demais escondidos no pedido de um café puro, morno e sem açúcar nem vontade. Mas era triste que ela era mais linda, sem maquiagem nenhuma nos olhos vagos de quem não dormiu nada, vinha com o cabelo num rabo-de-cavalo deixando os cachos derramados aos poucos, bem como as gotas de café-com-leite que pedia doce de Nescau, lendo os quadrinhos do jornal de ontem, bebendo em câmera lenta sem se valer do meu universo que muito se regia ao seu redor. Eu a amava calado e ela sorrindo, sempre com o mesmo arranjo azul no cabelo. 

E era imensa minha vontade de gritar "Eu não sou café-com-leite, beleza? Eu tô valendo, eu tô aqui!". Louco pra perguntar pra ela ou pra qualquer um que me passasse alí por perto, o seu nome, telefone, ou se ela queria casar comigo. Porque essas três perguntas nem no meu peito mais cabiam. E tudo o que eu falei quando esbarrei nela na saída: 

"Desculpe, moça. Tenha um bom dia."


Link para a música: http://migre.me/4rD4p Los Hermanos - Último Romance

terça-feira, 3 de maio de 2011

Supercombo - Eu Poderia



Eu cansei de esperar pelos principes. Até dos cavalos e sapos eu desisti. Foram tantos "te ligo" que nunca tocaram, tantos "te amo" que nunca foram verdade, tantos "te fode" que eu falei por saudade, que eu parei com essa. 

Eu cansei das borboletas desperdiçadas me embrulhando o estômago, iludindo o resto dos órgãos, sem contar os "felizes para sempre" eu tambem já abstraí faz tempo. E vocês, é, vocês que foram "comigo" (porque "meus" mesmo é dificil achar que tenham sido) não achem que eu só guardo mágoa, tenham certeza. 

Porque quando eu olho no meu guarda-roupa, lá estão as camisetas separadas por cor, saltos por altura e desilusões por ordem de chegada - ou talvez, fosse melhor dizer, partida. Livros, cds e filmes em ordem alfabetica na estante. Medos, segredos e angústias em potes destampados, já que eu nunca me dei muito bem quando a intenção era encontrar tampas, e isso também é válido para chinelos velhos ou metades de laranja. 

Talvez pra ter uma alma gêmea, eu precisasse ter uma alma. E tirando extrato por esses longos anos me tornando o coração gelado dos ursinhos carinhosos, é provável que não me tenha sobrado nenhuma. Sei lá, né? Vai ver não existe. Vai ver que se existe eu não vi. Vai ver eu vi e confundi com qualquer coisa que não fosse amor, até olhar pro lado.

E de repente, vem você sorrindo aqui perto de mim o sorriso mais lindo do mundo e me faz derreter que nem manteiga da terra. E eu fico aqui, toda quieta escondida no meu feminismo pra você não ver que eu me jogaria nos trilhos de um trem por um cara (que não por acaso tem seu nome). E você com esse andar que me deixa toda boba, toda disposta a mudar meu jeito de "não quero nada nem ninguém", pra querer sempre, querer muito, e me querer toda pra você. 

Então mesmo sabendo que a história vai acabar do mesmo jeito, e que você só me deu bom dia por educação eu vou me entupir de esperança, porque pode ser que dessa vez seja diferente. Porque nessa vez não vai ser nem sapo, cavalo, nem príncipe. Dessa vez é diferente, porque é você.


Link para a música: http://migre.me/4qyQq Supercombo - Eu Poderia

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Unidade Imaginária - Avenida



Eu queria um All-star amarelo. Queria segurar sua mão e sussurrar alguma piada que só a gente entenda. Queria te obrigar a assistir uma maratona com todos os filmes de Harry Potter só por pirraça, porque eu sei que você finge estar adorando mas na verdade estariamos fazendo muito mais que só assistir filmes naquele sofá confortável se dependesse de você - e nem adianta dizer que é mentira, eu sei que não é.

Queria ver você usar aquela camisa azul, porque você fica tão bem de azul que eu comecei a gostar de amarelo. Por que amarelo? Porque em algum arquivo louco no meu cérebro, foi escrito que amarelo era par do azul - E nem venha me dizer que é o vermelho, porque eu sei não é, nunca vai ser. Então se você é o azul eu preciso ser o amarelo pra desse jeito poder ser seu par, seu único par.

Eu queria acordar de manhã, com você do lado, uma cara amassada e um bom dia ranzinza de quem não quer levantar. Queria sua cara de pau, nossas bestagens, e o seu jeito de moleque que joga bola na rua até tarde. Queria sua mãe gostando de ser minha sogra, apesar de muito invejá-la por saber que ela é a mulher que você mais ama no mundo e não eu.

Queria minha sobrancelha arqueada por você estar arrumadinho e eu não, e você fica sempre lindo - arrumadinho ou não. Eu queria seu sorriso torto e seus ombros, quero o cheiro do canto do seu pescoço que só eu sei encontrar. Queria seus filmes ruins e queria as milhares de músicas piegas que falam de amor e me lembram você. Eu queria o seu abraço que me cabe, suas crises de riso besta e seus bicos de raiva. 

Queria seus planos da gente velhinho e junto, seus ciúmes sem fundamento e queria apertar discretamente sua bunda no meio da rua de pirraça quando não tem ninguém olhando, só pra te ver com aquela cara de vergonha. Eu queria seus carinhos fofos. Queria sua barba mal feita que eu quase não vejo. Então eu quero um All-Star amarelo, porque de todas essas coisas, é a única que eu não tenho ainda.


Link para a música: http://migre.me/4qjP4 Unidade Imaginária - Avenida

sábado, 30 de abril de 2011

Seu Cuca - Dez


Eu quero e preciso de você, mas isso não significa que você tenha de abrir mão da sua própria vida ou felicidade para satisfazer a minha. Eu quero você, sempre e por perto. Eu quero você, comigo, do meu lado, ao alcance das minhas mordidas bobas e do cheiro da sua orelha, basicamente o tempo inteiro - não importa quantos caras eu conheça, sei que nenhum deles é mais amável, bom, responsável, cheiroso, atencioso, dramático e apaixonante que você. E obviamente, nenhum deles terá os seus ombros magnificos nem o seu sorriso torto que me deixa sem fala de tão lindo - com aparelho ou sem. 

Eu quero você, independente da cidade em que eu esteja, da universidade na qual eu seja aprovada, das amigas com quem eu ando, dos filmes que eu assista, dos lugares onde eu vou, das músicas que eu ouço ou das pessoas que eu conheça. Eu quero você, mas eu ainda não posso ter ou fazer tudo, apesar de querer, tanto.

E me perdoe se eu rio de coisas sérias ou fico emburrada com bobagens, ou se eu lembro de quaisquer coisas que entulham tanto minha memória, mas tanto que me deixam míope e eu preciso segurar sua mão enquanto eu ando na calçada de salto (ou sem, tanto faz), e isso nem tem nada a ver com a minha necessidade de ter você por perto, lógico que nem tem, e claro que eu tô mentindo toda vez que seguro sua mão dando uma desculpa qualquer. Eu só preciso me livrar da saudade que dá estar a mais de meio metro do seu cheiro que sempre fica na minha blusa. 

E eu faria um milhão e duas músicas pra conseguir contar todas as nossas histórias que tirando eu e você, não interessaria a basicamente ninguém. Porque toda vez que eu rezo, agradeço a Deus por ter me dado você de presente, embrulhado na cara-de-pau mais amável desse mundo. Alguém meu, que estaria comigo a qualquer custo, alguém que é você enquanto você quiser ser meu. Eu Amo Você, e espero que essas frases soltas respondam qualquer coisa que você ainda duvide a respeito de mim, do que eu sinto, ou do que eu quero de você. 


Link para a música: http://migre.me/4p9O1 Seu Cuca - Dez

quarta-feira, 27 de abril de 2011

2ois - O Homem e o Cão


Eu tenho pensado em nós dois, e sentido tanta falta, e sentido tanta raiva, e sentido tanta inveja, e sentido tanto medo, e sentido tanta saudade, e tanta vontade de esmurrar alguém. E é sentindo tudo que não presta que eu tenho pensado tanto em você, porque você não presta também. 

E eu findo não prestando tanto quanto, por continuar perdendo meu tempo com seu nome monossilábico, seu riso bonito, suas cafanagens, seus braços envenenados, abdômen definido, seu cabelo de cachinho volumoso... Me perdendo nessa boca mentirosa que eu finjo que não vejo, só sinto. 

Daí você segura minha mão e o chão se perde enquanto eu imagino quais flores por no altar, se as madrinhas vão usar pêssego ou onde vai ser a lua de mel. Daí você me abraça e meu estômago revira de borboletas enquanto eu anoto mentalmente o nome dos nossos filhos, qual vai ter os seus olhos e rezo pra nenhum herdar meu cabelo. Daí você me beija e pronto fudeu, eu não tô mais em mim, eu não me caibo de esperança, eu não me contenho, nem sei o que é isso.  

E depois você não lembra meu nome, nem atende telefone, nem sequer sabe quem é essa aí do seu lado. É namorada nova? Uma amiga? Não, não, é só uma conhecida que encontrou por aí essa noite, e na anterior, na anterior da anterior e na transdanterior. Tomar no cu - eu penso, e nem é no bom sentido. 

É quando eu noto que devia me amar mais, compro roupa nova, faço coisas no cabelo, chamo amigas pra sair, vou pra balada encontrar mais mil de você. Como se chegando o domingo eu não fosse me jogar no sofá com um pote de sorvete pra mais chorar que assistir o Patrick Swayze rebolando no filme, amargando as pitangas de um amor que nunca foi seu e sei lá se é amor mesmo. 

Mas não é de me preocupar, eu não sou a única, nem vou ser a última. Nem muito menos você. 

Bem-vindo(a) ao Reino Encantado das Iludidas, fique à vontade.


Link para a música: http://migre.me/4n70D 2ois - O Homem e o Cão